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9 de setembro de 2011

VISÃO GERAL E ATENTA

Segue mais um caso de Angiotomografia com a presença de Aneurismas e suspeita de síndrome aórtica aguda em que o achado relacionado aos sintomas foi outro e não o achado cardiovascular.


Tomografia, plano coronal, individualizamos aorta com trajeto sinuosa, notando-se aneurismas na transição tóraco-abdominal da aorta e no segmento distal infra-renal.


Tomografia, plano axial com múltiplos diverticulos no cólon. Há adensameto da gordura peri-cólica fornecendo indícios de diverticulite.

24 de julho de 2011

APENDAGITE EPIPLÓICA PRIMÁRIA


Tomografia Plano Coronal. Seta vermelha individualiza imagem de aspecto digitiforme com densidade similar a da gordura, notando-se discreto adensamento da gordura circunjacente.


 Tomografia Plano Sagital. Seta vermelha individualiza imagem de aspecto digitiforme com densidade similar a da gordura, notando-se discreto adensamento da gordura circunjacente.


Tomografia Plano Coronal. Seta vermelha individualiza imagem de aspecto digitiforme com densidade similar a da gordura, notando-se discreto adensamento da gordura circunjacente.


Apendagite epiplóica é uma condição incomum causada pela torção do apêndice epiplóico ou trombose venosa espontânea de uma veia de drenagem epiplóica.

Clinicamente, a apendagite epiplóica é caracterizada por dor abdominal focal de início súbito, com presença ou não de outros sinais e sintomas detectados através da história e exame clínico ou de exames laboratoriais

Os achados típicos na Tomografia Computadorizada incluem uma massa oval paracolica, principalmente no quadrante inferior do abdome, com atenuação de gordura, com forro visceral do peritônio espessado e infiltração da gordura periapendageana.

Ocasionalmente, coexiste espessamento da parede do cólon adjacente, associado a efeito compressivo. Numa minoria de casos, um centro de alta atenuação ("ponto") está presente no apêndice, correspondendo a uma veia de drenagem trombosada.

O início súbito da dor abdominal focal, na ausência de outros achados clínicos, associado a uma massa paracolica com a atenuação de gordura e inflamação circundante na TC, é a marca principal da apendagite epiplóica.

Em resumo, apendagite epiplóica é uma condição incomum abdominal que raramente é diagnosticada clinicamente, mas tem características muito peculiares na TC que, quando identificados, permitem um diagnóstico por imagem definitivo.

Diagnóstico diferencial:
  • Diverticulite.
  • Infarto do grande omento (usualmente extenso – média de diâmetro 3.5-7.0 cm)
  • Apendicite.
  • Appendagite epiplóica secundária (secundária a processo intestinal inflamatório subjacente - acompanhada por espessamento da parede intestinal, estreitamento luminal, e coleções pericólicas / abscesso / gás e bolhas.

Leitura recomendada: Acute Epiploic Appendagitis and Its Mimics; RadioGraphics 2005; 25:1521–1534.



Fabrizio Ney Silva Oliveira

23 de junho de 2011

APENDICITE X MDCT

Veja também, esta postagem com diagnóstico deferencial de apendicite. Link

Diagnostic Performance of Multidetector Computed Tomography for Suspected Acute Appendicitis
Perry J. Pickhardt, MD; Edward M. Lawrence, BS; B. Dustin Pooler, MD; and Richard J. Bruce, MD
+ Author Affiliations

From the University of Wisconsin School of Medicine and Public Health, Madison, Wisconsin.
Abstract

Background: Use of preoperative computed tomography for suspected acute appendicitis has dramatically increased since the introduction of multidetector CT (MDCT) scanners.

Objective: To evaluate the diagnostic performance of MDCT for suspected acute appendicitis in adults.

Design: Analysis of MDCT findings and clinical outcomes of consecutive adults referred for MDCT for suspected appendicitis from January 2000 to December 2009.

Setting: Single academic medical center in the United States.

Patients: 2871 adults.

Measurements: Interpretation of nonfocused abdominopelvic MDCT scans by radiologists who were aware of the study indication. Posttest assessment of diagnostic performance of MDCT for acute appendicitis, according to the reference standard of final combined clinical, surgical, and pathology findings.

Results: 675 of 2871 patients (23.5%) had confirmed acute appendicitis. The sensitivity, specificity, and negative and positive predictive values of MDCT were 98.5% (95% CI, 97.3% to 99.2%) (665 of 675 patients), 98.0% (CI, 97.4% to 98.6%) (2153 of 2196 patients), 99.5% (CI, 99.2% to 99.8%) (2153 of 2163 patients), and 93.9% (CI, 91.9% to 95.5%) (665 of 708 patients), respectively. Positive and negative likelihood ratios were 51.3 (CI, 38.1 to 69.0) and 0.015 (CI, 0.008 to 0.028), respectively. The overall rate of negative findings at appendectomy was 7.5% (CI, 5.8% to 9.7%) (54 of 716 patients), but would have decreased to 4.1% (28 of 690 patients) had surgery been avoided in 26 cases with true-negative findings on MDCT. The overall perforation rate was 17.8% (120 of 675 patients) but progressively decreased from 28.9% in 2000 to 11.5% in 2009. Multidetector computed tomography provided or suggested an alternative diagnosis in 893 of 2122 patients (42.1%) without appendicitis or appendectomy.

Limitation: Possible referral bias, because some patients whose appendicitis was difficult to diagnose on clinical grounds may not have been referred for MDCT for evaluation of suspected appendicitis.

Conclusion: Multidetector computed tomography is a useful test for routine evaluation of suspected appendicitis in adults.

Primary Funding Source: None.

15 de janeiro de 2011

DISPLASIA FIBROSA DO SEPTO NASAL


Paciente do sexo masculino sem queixas diretamente relacionadas à referida imagem.

No terço posterior do septo nasal, observa-se imagem bem definida que envolve a medular óssea com padrão em ¨vidro fosco¨ e que preserva a cortical. Achados que sugerem displasia fibrosa.

Importante salientar que a displasia fibrosa e o Fibroma Ossificante podem exibir o mesmo aspecto de imagem, sendo a diferenciação possível apenas através da avaliação hitopatológica.

http://www.nature.com/modpathol/journal/v20/n3/pdf/3800753a.pdf

Na fossa média esquerda obervam-se fragmentos metálicos que produzem artefato de endurecimento de feixe. Vê-se também descontinuidade do osso temporal deste mesmo lado, decerto relacionada também a trauma prévio.

11 de janeiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DOS BONS PROFISSIONAIS

Era uma destas manhãs que a emergência estava lotada com muitos pedidos de Tomografia. Recebemos uma paciente jovem do sexo feminino com uma solicitação de tomografia da coluna dorsal. Após as devidas orientações a respeito do exame, saí da sala de comando para pegar um cafezinho (Radiologista são movidos a café) e ao retornar recebi a seguinte notícia: Dr. vi uma pequena alteração no exame e reconstruí o exame com um FOV maior, disse Fritz um dos nossos técnicos da equipe de tomografia.
Após avaliar o exame da coluna dorsal parti para a análise das imagens com o FOV (Field Of View) maior.

Segue a primeira imagem com o FOV adequado para a avaliação da coluna dorsal.



Trata-se de tomografia da coluna dorsal com janela de partes moles. A seta vermelha demostra um pequeno derrame pleural à esquerda (alteração vista por Fritz).

Segue a segunda imagem com o FOV maior para a avaliação do tórax.



Tomografia, plano axial, onde observamos uma consolidação de aspecto cuneiforme na periferia da base do lobo inferior esquerdo (seta vermelha).

Em nosso relatório de coluna dorsal, notificamos a presença das alterações descritas acima e alertamos ao médico da emergência sobre a possibilidade de tromboembolismo pulmonar.

Abaixo, seguem as imagens nos planos axial e coronal da tomografia com protocolo específico para a pesquisa de TEP, onde observamos falha de enchimento segmentar na trama vascular arterial pulmonar (seta amarela).





Aqui não nos cabe discutir quais os motivos que fizeram o nosso plantonista da emergência suspeitar que os sintomas da paciente eram relacionados à coluna. Nem sempre a comunicação médico - paciente (cliente) é satisfatória, no entanto ressaltamos a importância do trabalho em equipe dos profissionais envolvidos em um setor de Radiologia. Técnicos que prestam atenção no que fazem não têm preço.
Parabéns Fritz!

12 de dezembro de 2010

DISPLASIA FIBROMUSCULAR



Paciente jovem do sexo feminino em investigação para Hipertensão Arterial Sistêmica.
A primeira imagem à direita é uma reconstrução MIP (Maximum Intensity Projection) com subtração óssea de uma Angiotomografia.
Nas Imagens à esquerda, em reconstrução MPR Curvo, observamos múltiplas irregularidades parietais com estenoses focais ao longo do trajeto vascular, mais expressivas nas artérias renal direita e ilíaca externa esquerda.
Há apenas alguns anos o diagnóstico da Displasia Fibromuscular era bem difícil e dependente da angiografia convencional. Recentemente com a melhora da resolução dos novos tomógrafos é possível estudar estes segmentos vasculares com mais precisão, no entanto apesar da boa caracterização do padrão clássico de "contas de rosário" através do método tomográfico, ainda existe limitação na resolução espacial, esta limitação é especialmente importante na avaliação das estenoses focais que podem ser subestimadas.

28 de novembro de 2010

GRANULAÇÃO ARACNÓIDE

Imagens de Ressonância Magnética do Crânio da mesma Paciente da postagem anterior



Imagens de RM, a primeira no plano axial pesada em T2, onde observamos a imagem arredondada com alto sinal na topografia do seio transverso / sigmóide (seta vermelha) e a outra no plano coronal pesada em T1, onde observamos a mesma imagem (seta vermelha) com baixo sinal similar ao do liquor.
Imagens gentilmente cedidas por Dra Lívia Mônico

26 de novembro de 2010

TROMBOSE VENOSA PITFALL

Armadilhas diagnósticas são bem comuns na radiologia e muitas vezes tiram o sono dos plantonistas.
Apresentamos neste caso imagens de uma angiotomografia do crânio
Paciente jovem, do sexo feminino com história de cefaléia constante há 5 dias.


Imagem de tomografia computadorizada, plano axial, onde observamos imagem hipoatenuante, circunscrita na projeção do seio venoso transverso / sigmóide à esquerda.




Imagem de tomografia computadorizada, plano coronal. Observe a imagem hipoatenuante (seta vermelha) e a sua relação com a tábua óssea, fornecendo indícios de que trata-se de uma imagem que de alguma forma femodelou o osso, observe também diminuta imagem vascular de permeio (seta amarela), o aspecto descrito é compatível com granulação aracnóide (achado benígno e um dos principais diagnósticos diferenciais da trombose venosa cerebral)

6 de novembro de 2010

DISSECÇÃO AORTICA TIPO B

Em postagem anterior sobre Classificação das Dissecções Aórticas fizemos um breve resumo das mesmas. Vale a pena relembrar.

A classificação de Stanford distribui as dissecções nas que envolvem a aorta ascendente a despeito do envolvimento da aorta descendente e as que envolvem apenas a aorta descendente:

Tipo A: Envolvem a aorta ascendente com ou sem envolvimento da aorta descendente.
Tipo B: Aorta descendente apenas.

A classificação de DeBakey apresenta três categorias:

Tipo 1: Ascendente e descendente
Type 2: Apenas a Ascendente
Type 3: Apenas a Descendente

Nas próximas imagens ilustramos uma Dissecção Aórtica tipo B.



Reconstrução volumétrica e imagem no plano axial evidenciando-se origem aberrante da artéria subclávia direita como o último grande tronco supra-aórtico (variação anatômica). Por definição as dissecções tipo B envolvem apenas a aorta descendente (distal ao óstio da artéria subclávia esquerda, que na maioria das vezes é o último tronco).

Origem aberrante da artéria subclávia direita - seta azul
Lâmina de dissecção - seta vermelha
Luz falsa - seta verde




Reconstrução MIP espesso no plano sagital oblíquo.
Seta azul - origem da artéria subclávia esquerda - A artéria subclávia direita aberrante não aparece nesta projeção.
Seta verde - lâmina de dissecção
Seta amarela - luz falsa
Seta vermelha - luz verdadeira

Geralmente a luz falsa tem maior calibre e possui um regime de pressão maior. Este regime de pressão associado ao enfraquecimento da lâmina intimal faz com que a mesma seja desviada em direção a luz verdadeira, consequentemente a luz verdadeira apresenta menor calibre. Outra característica da luz falsa é o padrão de fluxo que encontra-se lentificado, favorecendo a ocorrência de tombose e de possíveis embolizações distais para ramos que emergem a partir da luz falsa ou mesmo para ramos que emergem da luz verdadeira, desde que exista orifícios de comunicação entre as luzes.



Tomografia, plano axial.
Seta verde - luz falsa
Seta amarela - trombo mural
Seta vermelha - lâmina de dissecção
Seta azul - luz verdadeira
Seta laranja - orifício de comunicação entre as luzes


Deve-se detalhar a origem dos principais ramos da aorta a partir da luz falsa ou verdadeira, além de demonstrar os possíveis efeitos estenosantes das lâminas de dissecção que podem se insinuar nos óstios, reduzir o calibre dos mesmos e determinar hipofluxo em orgãos distais.
Veja esta imagem abaixo.



Tomografia plano axial, onde observamos a artéria mesentérica superior (seta amarela) emergindo a partir da luz verdadeira sem evidências de estenose.
Seta azul - luz falsa
Seta vermelha - lâmina de dissecção

2 de novembro de 2010

FRATURA DO OSSO TEMPORAL COM PNEUMOLABIRINTO E LUXAÇÃO INCUDOMALEOLAR

TC Axial e Coronal Janela de CAI. As setas indicam a linha de fratura oblíqua que se estende desde a porção posteroinferior da mastóide até as lâminas pterigóides do osso esfenóide homolateral. Note que as células da mastóide encontram-se parcialmente obliteradas por material com densidade de partes moles de natureza inespecífica (possivelmente sangue).

TC Multiplanar Janela de CAI. As setas indicam a presença de gás no interior do labirinto. Note o interior do labirinto com densidade heterogênea na dependência de componente com densidade de gás e material isodenso. Este aspecto de imagem configura pneumolabirinto: complicação pós-trauma do osso temporal.

TC Multiplanar Janela de CAI. Além do Pneumolabirinto, evidenciado na foto anterior, registra-se outra complicação do trauma de osso temporal: luxação da articulação incudomaleolar. A seta amarela indica presença de "gap" entre as cabeças do martelo e da bigorna, onde deveriam exisitir superfícies articulares em íntimo contato. A seta branca indica a cabeça da bigorna, enquanto a cabeça do martelo encontra-se desviada medialmente (seta pontilhada).

17 de outubro de 2010

MIP DICAS

MIP (maximum intensity projection) é uma técnica de reconstrução de imagens médicas muito utilizada na Radiologia, possibilita uma avaliação global das estruturas anatômicas, notadamente das estruturas vasculares contrastadas. Os pixeis com maior densidade ou maior intensidade de sinal em uma determinada projeção sobressaem sobre os demais, no entanto esta característica fundamental para avaliação dos exames pode gerar algumas armadilhas diagnósticas.



Neste caso mostramos um trombo (seta vermelha) na veia jugular interna direita (seta azul) no plano coronal em MPR sem reconstrução adicional.



MIP espesso, plano coronal, observe que o trombo simplesmente não aparece.
O exemplo mostrado é bem grosseiro e raramente um Radiologista deixa passar este tipo de achado a despeito das reconstruções utilizadas, no entanto pequenos trombos em vasos segmentares e subsegmentares de fino calibre são facilmente perdidos nestas reconstruções.
Moral da história: Qual a melhor técnica para avaliação de possíveis falhas de enchimento?
Resposta: TODAS!

Sempre faça uma avaliação global do seu exame!

26 de setembro de 2010

CONCHA SUPERIOR BOLHOSA

TC Coronal Janela Óssea. Paciente jovem com suspeita de rinossinusopatia inflamatória.

Quando falamos em "concha bolhosa" é quase automático pensar na concha média. Pois bem, este paciente tinha concha média e meato médio sem alterações bilateralmente. Além disso, os seios paranasais estavam livres.

Note que a concha superior encontra-se aerada em ambos os lados, ligeiramente mais volumosa à esquerda. Outro aspecto relevante é a obliteração bilateral do meato superior/recesso olfatório por material com densidade intermediária.


Ampliação TC coronal Janela Óssea. As setas vermelha e amarela indicam respectivamente a concha superior bolhosa e a obstrução da via aérea por material com densidade intermediária. Variante anatômica digna de nota.

Aspecto importante é a obstrução do meato. Note que os meatos médio e inferior encontram-se livres.

Uma condição fisiológica bem evidente neste exame é o ciclo nasal da mucosa. Note que a espessura da mucosa dos meatos do lado direito é maior do que o lado esquerdo. No entanto, não existe obliteração de via aérea o irregularidade da superfície mucosa, aspecto típico do ciclo nasal.

20 de setembro de 2010

ABSCESSO SEPTAL

TC Janela de Partes Moles nos 3 planos. Paciente de 45 anos com história de sinusopatia inflamatória aguda há 03 semanas. Refere dor e rinorreia moderada. Desde então vem sentindo difculdade para respirar ("nariz entupido"). Importante ressaltar que o paciente não tinha história de manipulação cirúrgica ou trauma prévio.

As setas acima evidenciam imagem bem definida com inclusões gasosas de permeio na topografia da cartilagem quadrangular. Tal aspecto é sugestivo de abscesso septal. Diante da história clínica, fica a pergunta: houve um hematoma espontâneo prévio que gerou o abscesso?

6 de setembro de 2010

INTUSSUSCEPÇÃO COLO-COLICA

Há alguns meses, postamos pelo menos dois casos de intussuscepção, uma iléo-ileal (link) e outra ileo-cólica (link).
Hoje postamos uma tomografia de um paciente HIV positivo em sepse na Unidade de Terapia Intensiva evoluindo com distensão abdominal.



Tomografia plano, axial, onde observamos imagem arredondada, heterogênea com múltiplas camadas concêntricas (seta vermelha)



Plano coronal, notamos as paredes espessadas do ângulo esplênico do cólon insinuando-se na porção descendente do grosso intestino. Diagnóstico: Intussuscepção Colo-cólica.

4 de setembro de 2010

HEMANGIOMA DO MÚSCULO TEMPORAL

TC Axial. Paciente do sexo masculino, 41 anos, diabético, admitido no pronto atendimento com queixa de cefaléia há menos de 12 horas e sem outros sintomas associados. Em sua história pregressa havia o relato de severa baixa da acuidade visual à direita por conta de trombose da veia retiniana. Sem mais dados positivos.

Na imagem acima, vemos um estudo TC de crânio nas fases pré (acima) e pós-contraste (abaixo). A seta amarela aponta lesão extracraniana bem definida, ovalada, hipodensa e homogênea, que parece ocupar o espaço relativo ao músculo temporal (compare com o lado oposto e observe o aspecto normal das fibras do músculo temporal direito). Na fase pós-contraste (seta pontilhada), evidencia-se marcado realce homogêneo da lesão, predominantemente central.

TC Coronal Janela de Partes Moles. A seta azul na fase pós-contraste evidencia lesão bem definida e com marcado realce homogêneo. A seta azul pontilhada demonstra o aspecto homogêneo e hipodenso da imagem na fase pré-contraste. As setas amarelas delineiam a fáscia temporal abaulada lateralmente e que se insere inferiormente no processo coronóide da mandíbula.

TC Sagital Janela de Partes Moles. Nas fases pré (acima) e pós-contraste (abaixo) fica claro o realce intenso da lesão.

TC axial Janela Óssea (acima) e Janela de Partes Moles (abaixo). Note que não existem alterações das estruturas ósseas adjacentes à referida imagem.


TC Coronal Janela de Partes Moles. A seta branca indica o arco zigomático. As áreas amarela e vermelha correspondem aos compartimentos infra e suprazigomático do espaço mastigador, respectivamente.

A imagem demonstrada consiste em uma lesão bem definida e captante, localizada no compartimento suprazigomático do espaço mastigador esquerdo. Hemangioma na topografia do músculo temporal.

Geralmente, quando se fala em espaço mastigador, logo vem na mente a imagem do ângulo da mandíbula em contato com o ventre do masseter e músculo pterigóide medial. Pois bem, nunca devemos esquecer que o espaço mastigador não se resume ao compartimento infrazigomático.

Esta lesão foi um achado de exame e não tem relação direta com a queixa de cefaléia do paciente.

8 de agosto de 2010

MAY-THURNER

A síndrome da compressão da veia ilíaca é uma entidade clínica de difícil diagnóstico e na maior partes dos casos é um diagnóstico de exclusão, consiste no efeito compressivo de uma das artérias ilíacas sobre a veia ilíaca esquerda. A redução do calibre vascular determina alteração da dinâmica do fluxo venoso, gerando sintomas relacionados, com destaque para eventos de Trombose Venosa Profunda.

Apresentamos uma paciente do sexo feminino, 32 anos, com passado de dois episódios de trombose venosa profunda no membro inferior esquerdo.


Tomografia, plano axial - Artéria Ilíaca Esquerda (seta vermelha), Veia Ilíaca Comum Esquerda (seta amarela), observe a redução do calibre da veia ilíaca comum esquerda. Neste ponto, lembramos que este achado é comumente observado na prática radiológica, devendo-se sempre, correlacionar com outros sintomas que tornem o diagnóstico possível.


Reconstrução multiplanar com melhor caracterização da redução do calibre da veia ilíaca comum esquerda. Artéria Ilíaca Comum Esquerda (seta amarela), Veia Ilíaca Comum Esquerda (seta vermelha).


MPR curvo. A veia ilíaca comum esquerda (seta amarela) está situada entre as margens ósseas dos corpos vertebrais de L4 e L5 (setas azuis) e a artéria ilíaca comum esquerda (seta vermelha).

22 de julho de 2010

COMPRE 1 E LEVE 3 VARIANTES DO BULBO JUGULAR

TC Coronal Janela de CAI. Na imagem superior, a seta vermelha aponta a deiscência do bulbo jugular. Note que não existe osso entre a cavidade timpânica e o bulbo jugular. Nesta mesma imagem, a linha horizontal pontilhada, traçada ao nível do assoalho do conduto auditivo externo, serve como limite virtual superior do bulbo jugular. Se o bulbo jugular passa desta linha, pode-se chamar "bulbo jugular alto". Por fim, na imagem inferior, em um plano coronal posterior, a seta amarela revela projeção diverticular do bulbo jugular.

TC Axial Janela de CAI de cima para baixo. A seta amarela mostra a projeção diverticular no bulbo jugular. A seta pontilhada do lado esquerdo mostra o bulbo jugular esquerdo (também alto). A seta vermelha na imagem inferior mostra a deiscência do bulbo jugular (Compare com o bulbo jugular do lado esquerdo, separado da cavidade timpânica por uma limitante óssea bem visualizada).

TC Coronal Janela de CAI. Seta pontilhada evidenciando a deiscência do bulbo jugular alto. Seta do lado esquerdo revela o bulbo jugular alto do lado esquerdo, porém sem deiscência.

TC Coronal Janela de CAI. Imagem ampliada para mostrar o bulbo jugular do lado esquerdo (seta vermehla) e a deiscência do bulbo jugular à direta (seta amarela).

Pois bem, este paciente tem 3 variantes anatômicas do bulbo jugular: bulbo jugular alto bilateral, deiscência de bulbo jugular e divertículo jugular do lado direito. Ainda assim, o paciente era completamente assintomático e realizou o exame apenas por suspeita de otite média.

Este caso revela uma enorme controversia: variantes do bulbo jugular são responsáveis por zumbido? Quem fala contra exibe exemplos como este: uma legião de pessoas com tais variantes e que não tem nenhum sintoma. Outros autores acreditam que as variantes do bulbo jugular podem sim estar relacionadas ao zumbido.

Qual a orientação mais aceita? Se o paciente tem queixa de zumbido e no exame são encontradas variantes do bulbo jugular, o radiologista deve continuar investigando outra causa para o sintoma.

16 de julho de 2010

CRIANÇA COM LACRIMEJAMENTO EXCESSIVO UNILATERAL

TC Axial Janela Partes Moles. A seta vermelha aponta discreta imagem cística na região cantal medial do lado esquerdo.

TC Sagital Janela de Partes Moles. Na imagem superior, observe o aspecto habitual do ducto nasolacrimal do lado direito, parcialmente aerado (Seta vermelha). Na imagem inferior, a seta amarela indica o ducto nasolacrimal do lado esquerdo preenchido por material isodenso e minimamente alargado quando comparado ao lado oposto.

TC Axial Janela de Partes Moles. De cima para baixo vemos os ductos nasolacrimais, levemente dilatado e preenchido por líquido à esquerda (Seta vermelha). Note o ducto nasolacrimal direito com aspecto normal (Seta vermelha pontilhada).
A seta amarela na foto inferior evidencia pequeno aumento de volume na região cantal medial esquerda.
Neste plano fica mais evidente a discreta dilatação do ducto nasolacrimal esquerdo.

Paciente de 01 ano de idade, sexo masculino. Relata a responsável que a criança está "lacrimejando muito no olho esquerdo". Tais achados sugerem obstrução parcial do ducto nasolacrimal esquerdo, decerto por persistência da membrana de Hasner no segmento distal do ducto, com dacriocistocele incipiente na região cantal medial da órbita deste mesmo lado.
Ducto nasolacrimal normal pode estar preenchido por líquido ou parcialmente aerado. Porém, como sempre na radiologia, é preciso se confrontar os achados de imagem com a história clínica. Neste caso temos um ducto levemente dilatado e com correlação clínica positiva. Assimetria dos ductos deve sempre ser levada em conta.

6 de julho de 2010

ANOMALIA DE MONDINI COM SÍNDROME DO AQUEDUTO VESTIBULAR LARGO

Paciente de 03 anos, sexo masculino, com quadro de perda auditiva sem história de infecção associada. Relata a responsável ter percebido que a criança tinha "dificuldade para escutar". Tal suspeita foi feita também pela professora na escola. Ao estudo audiométrico foi evidenciado "perda moderada".

Para melhor visualização dos achados de TC, nas imagens abaixo usamos duas colunas: uma relativa ao nosso exame (coluna do paciente) e outra relativa a um estudo tomográfico normal para comparação (estudo normal).


Paciente x Estudo normal
TC axial janela de CAI. Podemos comparar um estudo normal de controle (coluna do lado direito) com o estudo do nosso paciente (coluna do lado esquerdo). A seta azul evidencia a espira basal da cóclea no exame normal. Note que em nosso estudo a espira basal da cóclea tem aspecto semelhante ao controle, sem alterações. Em cortes superiores, as setas longa e pontilhada mostram respectivamente o aspecto habitual do ápice e da espira média da cóclea. Neste caso, compare e observe que em nosso paciente não podemos definir os limites entre o ápice e a espira média da cóclea. A seta curta no exame de controle evidencia o modíolo normal, enquanto em nosso caso o modíolo está hipoplásico e mal visualizado. Estas imagens indicam defeito da partição da cóclea, com hipoplasia do modíolo e sem envolvimento da espira basal.


Estudo normal x Paciente
TC coronal janela de CAI. Novamente temos um estudo de controle (lado esquerdo). A seta indica a cóclea com indefinição dos limites entre as espiras média e ápice (compare com o exame normal). Defeito de partição da cóclea.


Estudo normal x Paciente
TC axial (acima) e coronal (abaixo) com janela de CAI. Na coluna do lado esquerdo (estudo normal para comparação), as setas verdes indicam o aspecto tomográfico habitual do aqueduto vestibular. No lado direito, observamos o nosso caso com as setas amarelas evidenciando aqueduto vestibular largo (compare com o canal semicircular adjacente).

Estamos diante de um caso de anomalia ou displasia de Mondini associada a síndrome do aqueduto vestibular largo. Esta combinação é frequente.