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15 de janeiro de 2011

DISPLASIA FIBROSA DO SEPTO NASAL


Paciente do sexo masculino sem queixas diretamente relacionadas à referida imagem.

No terço posterior do septo nasal, observa-se imagem bem definida que envolve a medular óssea com padrão em ¨vidro fosco¨ e que preserva a cortical. Achados que sugerem displasia fibrosa.

Importante salientar que a displasia fibrosa e o Fibroma Ossificante podem exibir o mesmo aspecto de imagem, sendo a diferenciação possível apenas através da avaliação hitopatológica.

http://www.nature.com/modpathol/journal/v20/n3/pdf/3800753a.pdf

Na fossa média esquerda obervam-se fragmentos metálicos que produzem artefato de endurecimento de feixe. Vê-se também descontinuidade do osso temporal deste mesmo lado, decerto relacionada também a trauma prévio.

2 de novembro de 2010

FRATURA DO OSSO TEMPORAL COM PNEUMOLABIRINTO E LUXAÇÃO INCUDOMALEOLAR

TC Axial e Coronal Janela de CAI. As setas indicam a linha de fratura oblíqua que se estende desde a porção posteroinferior da mastóide até as lâminas pterigóides do osso esfenóide homolateral. Note que as células da mastóide encontram-se parcialmente obliteradas por material com densidade de partes moles de natureza inespecífica (possivelmente sangue).

TC Multiplanar Janela de CAI. As setas indicam a presença de gás no interior do labirinto. Note o interior do labirinto com densidade heterogênea na dependência de componente com densidade de gás e material isodenso. Este aspecto de imagem configura pneumolabirinto: complicação pós-trauma do osso temporal.

TC Multiplanar Janela de CAI. Além do Pneumolabirinto, evidenciado na foto anterior, registra-se outra complicação do trauma de osso temporal: luxação da articulação incudomaleolar. A seta amarela indica presença de "gap" entre as cabeças do martelo e da bigorna, onde deveriam exisitir superfícies articulares em íntimo contato. A seta branca indica a cabeça da bigorna, enquanto a cabeça do martelo encontra-se desviada medialmente (seta pontilhada).

26 de setembro de 2010

CONCHA SUPERIOR BOLHOSA

TC Coronal Janela Óssea. Paciente jovem com suspeita de rinossinusopatia inflamatória.

Quando falamos em "concha bolhosa" é quase automático pensar na concha média. Pois bem, este paciente tinha concha média e meato médio sem alterações bilateralmente. Além disso, os seios paranasais estavam livres.

Note que a concha superior encontra-se aerada em ambos os lados, ligeiramente mais volumosa à esquerda. Outro aspecto relevante é a obliteração bilateral do meato superior/recesso olfatório por material com densidade intermediária.


Ampliação TC coronal Janela Óssea. As setas vermelha e amarela indicam respectivamente a concha superior bolhosa e a obstrução da via aérea por material com densidade intermediária. Variante anatômica digna de nota.

Aspecto importante é a obstrução do meato. Note que os meatos médio e inferior encontram-se livres.

Uma condição fisiológica bem evidente neste exame é o ciclo nasal da mucosa. Note que a espessura da mucosa dos meatos do lado direito é maior do que o lado esquerdo. No entanto, não existe obliteração de via aérea o irregularidade da superfície mucosa, aspecto típico do ciclo nasal.

20 de setembro de 2010

ABSCESSO SEPTAL

TC Janela de Partes Moles nos 3 planos. Paciente de 45 anos com história de sinusopatia inflamatória aguda há 03 semanas. Refere dor e rinorreia moderada. Desde então vem sentindo difculdade para respirar ("nariz entupido"). Importante ressaltar que o paciente não tinha história de manipulação cirúrgica ou trauma prévio.

As setas acima evidenciam imagem bem definida com inclusões gasosas de permeio na topografia da cartilagem quadrangular. Tal aspecto é sugestivo de abscesso septal. Diante da história clínica, fica a pergunta: houve um hematoma espontâneo prévio que gerou o abscesso?

4 de setembro de 2010

HEMANGIOMA DO MÚSCULO TEMPORAL

TC Axial. Paciente do sexo masculino, 41 anos, diabético, admitido no pronto atendimento com queixa de cefaléia há menos de 12 horas e sem outros sintomas associados. Em sua história pregressa havia o relato de severa baixa da acuidade visual à direita por conta de trombose da veia retiniana. Sem mais dados positivos.

Na imagem acima, vemos um estudo TC de crânio nas fases pré (acima) e pós-contraste (abaixo). A seta amarela aponta lesão extracraniana bem definida, ovalada, hipodensa e homogênea, que parece ocupar o espaço relativo ao músculo temporal (compare com o lado oposto e observe o aspecto normal das fibras do músculo temporal direito). Na fase pós-contraste (seta pontilhada), evidencia-se marcado realce homogêneo da lesão, predominantemente central.

TC Coronal Janela de Partes Moles. A seta azul na fase pós-contraste evidencia lesão bem definida e com marcado realce homogêneo. A seta azul pontilhada demonstra o aspecto homogêneo e hipodenso da imagem na fase pré-contraste. As setas amarelas delineiam a fáscia temporal abaulada lateralmente e que se insere inferiormente no processo coronóide da mandíbula.

TC Sagital Janela de Partes Moles. Nas fases pré (acima) e pós-contraste (abaixo) fica claro o realce intenso da lesão.

TC axial Janela Óssea (acima) e Janela de Partes Moles (abaixo). Note que não existem alterações das estruturas ósseas adjacentes à referida imagem.


TC Coronal Janela de Partes Moles. A seta branca indica o arco zigomático. As áreas amarela e vermelha correspondem aos compartimentos infra e suprazigomático do espaço mastigador, respectivamente.

A imagem demonstrada consiste em uma lesão bem definida e captante, localizada no compartimento suprazigomático do espaço mastigador esquerdo. Hemangioma na topografia do músculo temporal.

Geralmente, quando se fala em espaço mastigador, logo vem na mente a imagem do ângulo da mandíbula em contato com o ventre do masseter e músculo pterigóide medial. Pois bem, nunca devemos esquecer que o espaço mastigador não se resume ao compartimento infrazigomático.

Esta lesão foi um achado de exame e não tem relação direta com a queixa de cefaléia do paciente.

22 de julho de 2010

COMPRE 1 E LEVE 3 VARIANTES DO BULBO JUGULAR

TC Coronal Janela de CAI. Na imagem superior, a seta vermelha aponta a deiscência do bulbo jugular. Note que não existe osso entre a cavidade timpânica e o bulbo jugular. Nesta mesma imagem, a linha horizontal pontilhada, traçada ao nível do assoalho do conduto auditivo externo, serve como limite virtual superior do bulbo jugular. Se o bulbo jugular passa desta linha, pode-se chamar "bulbo jugular alto". Por fim, na imagem inferior, em um plano coronal posterior, a seta amarela revela projeção diverticular do bulbo jugular.

TC Axial Janela de CAI de cima para baixo. A seta amarela mostra a projeção diverticular no bulbo jugular. A seta pontilhada do lado esquerdo mostra o bulbo jugular esquerdo (também alto). A seta vermelha na imagem inferior mostra a deiscência do bulbo jugular (Compare com o bulbo jugular do lado esquerdo, separado da cavidade timpânica por uma limitante óssea bem visualizada).

TC Coronal Janela de CAI. Seta pontilhada evidenciando a deiscência do bulbo jugular alto. Seta do lado esquerdo revela o bulbo jugular alto do lado esquerdo, porém sem deiscência.

TC Coronal Janela de CAI. Imagem ampliada para mostrar o bulbo jugular do lado esquerdo (seta vermehla) e a deiscência do bulbo jugular à direta (seta amarela).

Pois bem, este paciente tem 3 variantes anatômicas do bulbo jugular: bulbo jugular alto bilateral, deiscência de bulbo jugular e divertículo jugular do lado direito. Ainda assim, o paciente era completamente assintomático e realizou o exame apenas por suspeita de otite média.

Este caso revela uma enorme controversia: variantes do bulbo jugular são responsáveis por zumbido? Quem fala contra exibe exemplos como este: uma legião de pessoas com tais variantes e que não tem nenhum sintoma. Outros autores acreditam que as variantes do bulbo jugular podem sim estar relacionadas ao zumbido.

Qual a orientação mais aceita? Se o paciente tem queixa de zumbido e no exame são encontradas variantes do bulbo jugular, o radiologista deve continuar investigando outra causa para o sintoma.

16 de julho de 2010

CRIANÇA COM LACRIMEJAMENTO EXCESSIVO UNILATERAL

TC Axial Janela Partes Moles. A seta vermelha aponta discreta imagem cística na região cantal medial do lado esquerdo.

TC Sagital Janela de Partes Moles. Na imagem superior, observe o aspecto habitual do ducto nasolacrimal do lado direito, parcialmente aerado (Seta vermelha). Na imagem inferior, a seta amarela indica o ducto nasolacrimal do lado esquerdo preenchido por material isodenso e minimamente alargado quando comparado ao lado oposto.

TC Axial Janela de Partes Moles. De cima para baixo vemos os ductos nasolacrimais, levemente dilatado e preenchido por líquido à esquerda (Seta vermelha). Note o ducto nasolacrimal direito com aspecto normal (Seta vermelha pontilhada).
A seta amarela na foto inferior evidencia pequeno aumento de volume na região cantal medial esquerda.
Neste plano fica mais evidente a discreta dilatação do ducto nasolacrimal esquerdo.

Paciente de 01 ano de idade, sexo masculino. Relata a responsável que a criança está "lacrimejando muito no olho esquerdo". Tais achados sugerem obstrução parcial do ducto nasolacrimal esquerdo, decerto por persistência da membrana de Hasner no segmento distal do ducto, com dacriocistocele incipiente na região cantal medial da órbita deste mesmo lado.
Ducto nasolacrimal normal pode estar preenchido por líquido ou parcialmente aerado. Porém, como sempre na radiologia, é preciso se confrontar os achados de imagem com a história clínica. Neste caso temos um ducto levemente dilatado e com correlação clínica positiva. Assimetria dos ductos deve sempre ser levada em conta.

6 de julho de 2010

ANOMALIA DE MONDINI COM SÍNDROME DO AQUEDUTO VESTIBULAR LARGO

Paciente de 03 anos, sexo masculino, com quadro de perda auditiva sem história de infecção associada. Relata a responsável ter percebido que a criança tinha "dificuldade para escutar". Tal suspeita foi feita também pela professora na escola. Ao estudo audiométrico foi evidenciado "perda moderada".

Para melhor visualização dos achados de TC, nas imagens abaixo usamos duas colunas: uma relativa ao nosso exame (coluna do paciente) e outra relativa a um estudo tomográfico normal para comparação (estudo normal).


Paciente x Estudo normal
TC axial janela de CAI. Podemos comparar um estudo normal de controle (coluna do lado direito) com o estudo do nosso paciente (coluna do lado esquerdo). A seta azul evidencia a espira basal da cóclea no exame normal. Note que em nosso estudo a espira basal da cóclea tem aspecto semelhante ao controle, sem alterações. Em cortes superiores, as setas longa e pontilhada mostram respectivamente o aspecto habitual do ápice e da espira média da cóclea. Neste caso, compare e observe que em nosso paciente não podemos definir os limites entre o ápice e a espira média da cóclea. A seta curta no exame de controle evidencia o modíolo normal, enquanto em nosso caso o modíolo está hipoplásico e mal visualizado. Estas imagens indicam defeito da partição da cóclea, com hipoplasia do modíolo e sem envolvimento da espira basal.


Estudo normal x Paciente
TC coronal janela de CAI. Novamente temos um estudo de controle (lado esquerdo). A seta indica a cóclea com indefinição dos limites entre as espiras média e ápice (compare com o exame normal). Defeito de partição da cóclea.


Estudo normal x Paciente
TC axial (acima) e coronal (abaixo) com janela de CAI. Na coluna do lado esquerdo (estudo normal para comparação), as setas verdes indicam o aspecto tomográfico habitual do aqueduto vestibular. No lado direito, observamos o nosso caso com as setas amarelas evidenciando aqueduto vestibular largo (compare com o canal semicircular adjacente).

Estamos diante de um caso de anomalia ou displasia de Mondini associada a síndrome do aqueduto vestibular largo. Esta combinação é frequente.

11 de junho de 2010

Entrando em clima de Dia dos Namorados....




"Kissing Tonsils"

Imagem axial de TC com contraste do pescoço evidencia tonsilite aguda bilateral (setas), com baixa densidade na região central, obstruindo quase que completamente a via aérea da orofaringe. Inesquecível!


9 de junho de 2010

ESTADIAMENTO TN DO CARCINOMA DE NASOFARINGE

T - TUMOR PRIMÁRIO

T1 -
Tumor restrito à nasofaringe.
T2 - Extensão do tumor para os tecidos moles da orofaringe e/ou fossa nasal.
T2a - Sem extensão para o espaço parafaríngeo.
T2b - Com extensão para o espaço parafaríngeo.
T3 - Iinvasão de estruturas ósseas ou dos seios paranasais.
T4 - Disseminação intracraniana e/ou envolvimento de nervos cranianos, hipofaringe ou órbita.

N - LINFONODOS REGIONAIS

Nx - Avaliação de linfonodos não pode ser efetuada.
N0
- Não existe linfonodos metastáticos.
N1
- Linfonodo metastático unilateral com 6,0 cm ou menos em seu maior eixo, acima da fossa supraclavicular.
N2 - Linfonodo metastático bilateral com 6,0 cm ou menos em seu maior eixo, acima da fossa supraclavicular.
N3- Linfonodo metastático maior que 6,0 cm ou na fossa supraclavicular.

8 de junho de 2010

TUMOR TRANSGLÓTICO DE LARINGE

Axial Janela de Partes Moles. De cima para baixo: supraglote, glote e subglote. Na imagem supraglótica vemos a lesão expansiva tumoral na base da prega ariepiglótica direita (Seta amarela). Na imagem em nível glótico, destaca-se a invasão do espaço extralaríngeo, com marcado envolvimento dos músculos em fita e destruição da cartilagem tireóide (Seta pontilhada). No corte axial ao nível da subglote, fica claro o envolvimento dos tecidos moles do pescoço (Seta branca). Note que não há evidência de extensão posterior para o espaço pré-vertebral e tampouco encarceramento da artéria carótida.

Coronal Janela de Partes Moles. Na imagem superior a linha pontilhada revela o aspecto transglótico da lesão, que se extende desde a prega ariepiglótica até o nível da borda inferior da cartilagem cricóide. A seta na imagem inferior destaca o componente extralaríngeo do tumor.

Sagital Janela de Partes Moles. Lesão transglótica de laringe com invasão do espaço extralaríngeo e sem extensão posterior para o espaço prevertebral.

Os 3 posts anteriores dizem respeito ao estadiamento T do tumores de laringe.

ESTADIAMENTO T DO TUMOR SUPRAGLÓTICO (UICC 2002)

T1 - Tumor restrito à um subsítio da supraglote com mobilidade da corda vocal normal.
T2 - Invasão tumoral da mucosa em mais de uma região adjacente da supraglote, glote ou região fora da supraglote, sem fixação da laringe.
T3 - Fixação da corda vocal ou invasão da área pós-cricóide, espaços pré-epiglótico ou paraglótico, e/ou pequena erosão da cartilagem cricóide.
T4 - Disseminação extralaríngea do tumor.

T4a - Invasão tumoral da cartilagem tireóide ou tecidos que circundam a laringe (traqueia, músculos em fita, tireóide, esôfago).
T4b - Invasão tumoral do espaço prevertebral, do mediastino ou envolvendo a artéria carótida.

4 de junho de 2010

AUTOMASTOIDECTOMIA

Foto 1. Coronal Janela de CAI. No lado esquerdo, não há sinal de membrana timpânica, cadeia ossicular, esporão de Chaussé ou parede lateral da orelha média. Este padrão de imagem seria esperado num paciente submetido a cirurgia, mas neste caso a paciente de 64 anos, que referia perda auditiva, não relatava nenhum procedimento cirúrgico prévio.

Foto 2. Axial janela de CAI (nível inferior). A seta evidencia imagem com densidade de partes moles na porção posterior da orelha média. Este material tem forma irregular e limites definidos, em contato com a parede óssea da mastóide.

Foto 3. Axial Janela de CAI (Nível do canal semicircular lateral). Neste corte a seta também evidencia imagem com densidade de partes moles adjacente à parede óssea.

Foto 4. Coronal Janela de CAI (posterior). Esta imagem evidencia um achado importante. Note que a seta pequena indica material isodenso com forma algo arredondada e bem definida. A seta grande indica componente linear que se destaca da lesão.

Diante da história clínica e dos achados de imagem, estamos diante de um caso de automastoidectomia secundária a colesteatoma.

Mas o que seria colesteatoma mural e como se desenvolve uma automastoidectomia?

O colesteatoma é uma lesão não neoplásica que se organiza de tal forma a ter 3 regiões bem definidas: perimatriz, matriz e o conteúdo cístico. A matriz é um tecido escamoso epitelial semelhante a pele, que está permanentemente porduzindo queratina. A queratina produzida na matriz se "descama" e vai sendo "empurrada" para o conteúdo cístico, este por sua vez acumula lâminas de queratina e vai crescendo continuamente. A perimatriz, por sua vez, camada externa à matriz que mantém contato com a mucosa da orelha média, é constituida de fibras colágenas e células inflamatórias com suas citocinas. O processo inflamatório na perimatriz está sempre estimulando a produção de tecido cicatricial da própria perimatriz, bem como proliferação de fibroblastos e da matriz. Por outro lado, este mesmo processo inflamatório provoca a formação de tecido de granulação, que ativa a reabsorção óssea através do aumento da atividade dos osteoclastos do osso adjacente. Lembrando que a perimatriz é microscópica e às vezes visível somente ao microscópio eletrônico.

Para resumir, é na perimatriz que está o potencial de erosão óssea e crescimento contínuo do colesteatoma, que se dá através da interação inflamatória constante entre a mucosa da cavidade timpânica e a perimatriz.

E daí?

E daí que, eventualmente, em certo momento, a estrutura do colesteatoma se rompe e o conteúdo cístico que responde por praticamente todo o volume da lesão é drenado espontaneamente. É como se ficasse somente a "casca" do colesteatoma, enquanto o conteúdo cístico, o "recheio", é drenado pela orelha externa. Pois bem, a matriz e a perimatriz continuam lá a produzir inflamação e erosão óssea, erosão óssea, erosão óssea, erosão óssea... e assim vai. Nesta situação o estudo tomográfico exibe orelha com sinais de erosão óssea, sem cadeia ossicular, sem parede lateral da orelha média, mas também sem praticamente nenhum material no interior da cavidade. Por isso o radiologista pode se perguntar "o que aconteceu?", "como assim não foi operado?", "aonde está o colesteatoma?". O colesteatoma foi drenado espontaneamente e só restou sua "casca" (matriz, perimatriz), que geralmente é muito fina e invisível ao estudo de imagem. Esta situação que chamamos de AUTOMASTOIDECTOMIA em consequência de um COLESTEATOMA MURAL, que corresponde ao colesteatoma que perdeu sua forma pela drenagem do conteúdo cístico.

Em nosso caso, a automastoidectomia está associada à provável conteúdo cístico remanescente do colesteatoma (Foto 2, 3 e 4). É claro, pode coexistir tecido fibrocicatricial em meio a este componente isodenso. Na foto 4, evidencia-se a "casca" do colesteatoma muito bem definida (Seta grande). Vale ressaltar que nem sempre tal imagem de "casca" do colesteatoma é visível. Neste exame, pela presença de provável remanescente do conteúdo cístico, a ressonância magnética com técnica de difusão seria importante para definir o que é colesteatoma e o que não é (tecido cicatricial/granulação não colesteatomatoso associado).

Colesteatoma mural é uma das poucas situações onde o estudo RM com técnica de difusão não tem boa sensibidade, visto que a lesão laminar pode ser muito fina, aderida ao osso e com pouco volume.

Um conceito muito importante e baseado na estrutura e fisiopatologia do colesteatoma é: mesmo que o volume da lesão esteja quase reduzido a zero, não se deve esquecer que a matriz e principalmente a perimatriz ainda estão lá. Portanto um colesteatoma mural mínimo, uma imagem de automastoidectomia quase sem nenhum material de preenchimento visível no exame tomográfico, continua a se desenvolver, crescer e erodir osso adjacente.

Existem relatos de caso na literatura onde foi descrito automastoidectomia secundária a queratose obliterante, mas é raro. A regra é relacionar automastoidectomia ao colesteatoma mural.

Este esquema simples mostra a "casca" do colesteatoma representada pelas linhas azul (matriz) e vermelha (perimatriz), enquanto o volume da lesão se dá pelo conteúdo cístico (lilás) rico em queratina. Na imagem inferior, uma idéia daquilo que acontece no colesteatoma mural, quando o conteúdo cístico que reponde pelo volume da lesão é drenado. Vale lembrar que a matriz é muuuuuito fina e a perimatriz as vezes só é visualizada pelo microscópio eletrônico, portanto praticamente tudo que vemos na TC é conteúdo cístico.

16 de maio de 2010

CLASSIFICAÇÃO DA LABIRINTITE (OTITE INTERNA)

A labirintite é um processo inflamatório da orelha interna que pode envolver um ou mais compartimentos do labirinto membranoso. Os sintomas podem ser insidiosos, transitórios ou permanentes, comprometendo a função coclear e vestibular (surdez neurossensorial, vertigem, etc).
Este processo inflamatório pode ser pós-traumático ou não, infectado (viral, bacteriano, fúngico, protozoário) ou não infectado (autoimune - geralmente bilateral).

Em relação à ORIGEM do processo inflamatório, as labirintites podem ser divididas em:

TIMPANOGÊNICA
Invasão à partir da orelha média através da janela redonda, ocasionalmente pode ocorrer através da janela oval ou de fístulas labirínticas (bacteria, agente farmacológico, toxina). Unilateral.

MENINGOGÊNICA
Através do conduto auditivo interno ou aqueduto coclear (mais comum em crianças). Bilateral.

HEMATOGÊNICA
Forma menos comum. Geralmente viral (Sarampo, Caxumba), mas pode também ser bacteriana (BK, Sífiles).


HISTOLOGICAMENTE as labirintites podem ser divididas em:

SEROSA
PURULENTA
FIBROSA

OSSIFICANTE


RADIOLOGICAMENTE as labirintites podem ser divididas em:

AGUDA
FIBROSA
OSSIFICANTE

A fase aguda envolve os tipos histológicos "serosa" e "purulenta", uma vez que não é possível distinguir entre pus e endolinfa/perilinfa. Eventualmente, a alta celularidade da endolinfa pode levar ao aumento de sinal do labirinto na sequência T1 pré-contraste, mas nesta primeira fase radiológica da labirintite destaca-se o intenso realce pós-contraste na sequência T1, enquanto na sequência T2 e na TC não se observam alterações.

A fase fibrosa, como já diz o próprio nome, corresponde ao segundo estágio do processo inflamatório, quando tecido fibroso passa a preencher as estruturas do labirinto membranoso. Neste momento, o hipersinal em T2 - resultante do conteúdo de natureza líquida do labirinto - torna-se moderadamente reduzido, assim como o realce na sequência T1 pós-gadolínio. Tais achados de imagem indicam que o processo inflamatório agudo começa a ceder espaço ao surgimento de tecido fibroso de reparação.

A fase ossificante da labirintite corresponde ao estágio de ossificação dos debris inflamatórios que passam a ocupar o espaço antes preenchido por perilinfa e endolinfa (labirinto membranoso). Nesta fase, a TC costuma evidenciar uma "ausência de labirinto", que na verdade é a perda de contraste entre o labirinto (agora ossificado) e o osso adjacente. Em outras palavras: você tem dificuldade para ver o labirinto (ele fica branco igual ao osso). Na sequência T2, caracteriza-se a marcada ausência de hipersinal do labirinto membranoso (não tem mais linfa e agora o sinal é de osso, isto é, hipoitenso), enquanto que na fase pós-gadolínio da sequência T1 não mais se observa realce. O local mais comum para fibrose e ossificação do labirinto é na escala timpânica da espira basal da cóclea, próximo à janela redonda (Geralmente progride da base para o ápice coclear).


Vale destacar que os estágios radiológicos podem coexistir entre si, isto é, achados de labirintite fibrosa de um lado e ossificante do outro, por exemplo.

Na labirintite ossificante, um diagnóstico diferencial por vezes confundido é a displasia ótica congênita, por exemplo. Uma boa dica para diferenciar estas duas entidades é: na labirintite ossificante não existe redução volumétrica da cápsula ótica da orelha interna, enquanto que nas malformações congênitas geralmente o volume da cápsula ótica encontra-se algo reduzido. Boa dica é observar a convexidade do promotório no interior da orelha média. Quando o promotório é relativamente plano ou chega a ser côncavo, significa que provavelmente trata-se de uma displasia ótica congênita e não labirintite ossificante.

Coronal Janela de CAI ao nível da cóclea, esta exibe forma e densidade normais (seta grande). Aspecto habitual da cápsula ótica com sua projeção para a cavidade da orelha média, que forma uma convexidade característica (Linha pontilhada). Na displasia ótica esta linha tende a se tornar plana ou até mesmo côncava em relação à orelha média. Por outro lado, na labirintite ossificante costuma-se ter dificuldade para visualizar a cóclea, enquanto a convexidade da cápsula ótica mantem-se preservada. A seta pequena corresponde ao segmento labiríntico do nervo facial.

Causas para labirintite ossificante:
  • LABIRINTITE BACTERIANA SUPURATIVA (CAUSA MAIS COMUM)
  • LABIRINTITE VIRAL
  • OTOESCLEROSE
  • TRAUMA
  • DOENÇA AUTO-IMUNE
  • LEUCEMIA
  • OCLUSÃO DA ARTÉRIA LABIRÍNTICA
  • NEOPLASIA DO OSSO TEMPORAL

Outra questão que deve sempre ser lembrada é a hipótese de hemorragia intralabiríntica. Neste caso observa-se alto sinal do labirinto na sequência T1 sem contraste. Eis então que surge a pergunta: labirintite pode sangrar? Siiiiimmm, pode sangar, mas não é comum. Quando vemos hemorragia dentro do labirinto, ANTES de labirintite, temos que pensar em:
  • COAGULOPATIA
  • NEOPLASIA
  • TRAUMA
A labirintite bacteriana, na maioria dos casos timpanogênica, está mais frequentemente relacionada à reação contra endotoxinas bacterianas do que à invasão bacteriana propriamente dita no espaço intralabiríntico.

A labirintite viral subclínica é causa de hidrópsia endolinfática.

O herpes zoster oticus, ou Síndrome de Ramsay-Hunt, resulta da reativação do virus latente no gânglio geniculado do nervo facial. Além dos sinais e sintomas de dor periauricular, vesículas e paralisia do facial, costuma-se haver envolvimento do labirinto (perda auditiva e vertigem) que se manifesta no exame de imagem pelo realce dos canais semicirculares associado ao realce do nervo facial.

Labirintites auto-imunes costumam ser agudas, com surdez neurossensorial que responde aos imunossupressores. Existe hidrópsia endolinfáfica e proliferação osteofibrosa focal e difusa no labirinto.
Entre as doenças auto-imunes relacionadas à labirintite, estão:
  • POLIARTERITE NODOSA
  • GRANULOMATOSE DE WEGENER
  • LES
  • ARTRITE REUMATÓIDE
  • SÍNDROME DE COGAN
Existe ótima correlação entre realce na RM (fase aguda) e a presença de sintomas clínicos.

Realce labiríntico no T1 pós-gadolínio também pode ser SCHWANOMA, este é mais comumente visto no vestíbulo e costuma ter realce mais intenso que o observado nas labirintites.

14 de fevereiro de 2010

CEFALOCELE OCCIPTAL ATRÉSICA

Paciente de 53 anos com queixa de cefaleia. Pois bem, no plano sagital com janela de partes moles moles observa-se falha de continuidade óssea na região occiptal. Além disso, o espaço subaracnóide da fossa posterior encontra-se alargado, com aparente inserção alta da confluência dos seios, sem alteração na forma do IV ventrículo.

Sagital Janela de Partes Moles (Mesma imagem magnificada). A seta indica tecido com densidade de partes moles que passa através da falha óssea, provavelmente de natureza fibrótica. Note também que a dura se insinua levemente no orifíco interno da imagem.

Axial Janela Óssea.

Sagital. A Seta indica a confluência dos seios com inserção alta.

Este aspecto de imagem é compatível com uma forma frustra de cefalocele, denominada cefalocele atrésica. Assim como nas outras formas de cefalocele, é comum associação deste achado com variações anatômicas da drenagem venosa, disgenesia de corpo caloso, etc.

Neste caso, além da inserção alta da confluência dos seios, não havia veia de galeno, estando as veias cerebrais internas em contato direto com o seio reto.

8 de fevereiro de 2010

CLASSIFICAÇÃO DA INSERÇÃO SUPERIOR DO PROCESSO UNCINADO

Na imagem acima:
- Porção superior do processo uncinado (Linha verde)
- Concha média (Linha vermelha)
- Recesso terminal (Área amarela limitada pelo processo uncinado e lâmina papirácea)
- Lâmina papirácea (Seta)
- Placa cribiforme (Seta curta)
- Teto da fóvea etmoidal (Seta pontilhada)
- Célula Agger Nasi (Asterisco)


Tradicionalmente costumamos identificar o processo uncinado em sua porção inferior através da bem conhecida arquitetura da unidade ostiomeatal. Pois, também importante é ficar atento ao padrão de inserção superior do processo uncinado. Por que?

Antes do "porquê" vamos adotar uma entre as diversas classificações existentes.

Classificação de Landsberg e Friedman para inserção superior do processo uncinado (Imagem acima):

TIPO I: Inserção lateral na lâmina papirácea.
TIPO II: Inserção na célula agger nasi (asterisco) que por sua vez se insere na lâmina papirácea.
TIPO III: Inserção na lâmina papirácea e na junção da concha média com a placa cribiforme.

TIPO IV: Inserção na junção da concha média com a placa cribiforme.
TIPO V: Inserção na base do crânio (teto da fóvea etmoidal).
TIPO VI: Inserção na concha média.


Podemos dividir esta classificação em duas categorias, do tipo I ao III a inserção da lâmina papirácea é lateral e o infundíbulo etmoidal é fechado superiormente para formar o recesso terminal (área amarela na figura acima). Nesta categoria o seio frontal drena diretamente para o meato médio.

Nos tipos IV ao VI notamos que não existe recesso terminal, uma vez que o processo uncinado se insere medialmente. Por outro lado, a drenagem do seio frontal se faz para o infundíbulo etmoidal, que por sua vez drena para o meato médio.

E qual a importância disso?
Primeiramente, na cirurgia endoscópica funcional, é muito importante para o otorrinolaringologista ter conhecimento da existência do recesso terminal e da inserção do processo uncinado. Por outro lado, sendo a sinusite quase sempre precedida de rinite, o padrão de inserção do processo uncinado parece estar relacionado à maior ou menor chance de desenvolver rinossinusopatia frontal. Nos indivíduos cuja drenagem do frontal se faz de forma indireta (IV - VI), parece existir uma menor incidência de rinossinusopatia frontal, que pode ser explicada pelo fato de infecções rinogênicas terem maior dificuldade em alcançar a mucosa do seio frontal por conta da barreira anatômica formada pelo processo uncinado.

Qual o padrão de inserção mais comum?
Os padrões de inerção mais comuns são do tipo I ao III (aproximadamente 60% das pessoas).

Vale ressaltar que as vezes temos dificuldade em identificar a inserção superior do processo uncinado, principalmente em pacientes operados.


Coronal olbiquo. Inserção do tipo IV (Seta), na junção da concha média com a placa cribiforme. Note que o seio frontal drena para o infundíbulo etmoidal.


Coronal olbiquo. Inserção do tipo I (Seta). O processo uncinado se insere na lâmina papirácea. Neste caso, quando a inserção do processo uncinado é lateral, o infundíbulo etmoidal é fechado superiormente e forma o recesso terminal.

3 de fevereiro de 2010

COLESTEATOMA DA PARS TENSA

32 anos, sexo feminino, com episódios de otite média desde a infância e perfuração timpânica há alguns anos. Refere que há 02 meses começou a cursas com otorreia sem otite média associada.

Axial Janela de CAI. A seta mostra material com densidade de partes moles que ocupa a orelha e média e porção interna do conduto auditivo externo.

Coronal Janela de CAI. Além do material isodenso, note que o esporão de Chausse (seta) e a cadeia ossicular encontram-se preservados.

Coronal Janela de CAI. A linha imaginária representa o limite da membrana timpânica. Note a contiguidade da lesão da orelha média para o conduto auditivo externo.

Sagital Janela de CAI. A seta mostra a cadeia ossicular com seu aspecto característico em "dente molar" sem evidência de erosão, enquanto o hipo e mesotimpano encontram-se completamente preenchidos.

Coronal Janela de CAI. O canal semicircular lateral também não exibe alterações.

Diante desta história de otorréia sem otite média associada e relato de perfuração timpânica prévia, deve-se levantar a hipótese de colesteatoma da pars tensa em situação predominantemente anteroinferior.

Este caso nos demonstra a importância da história clínica.
E se alguém pergunta:
"Esta imagem poderia representar tecido de granulação ou material inflamatório?"
Resposta: Claro que sim!
A tomografia sem contraste particamente não tem capacidade de distinguir a natureza de uma imagem que ocupa a orelha média, salvo em casos de lesão vascular ou hipercaptante. O que nos faz pensar mais em uma situação do que em outra, inclusive incluir colesteatoma entre as suspeitas diagnósticas, é a topografia da lesão, a história clínica e achados adicionais como erosão óssea, por exemplo.
Obviamente em situações como um colestatoma de pars flácida que promove erosão de cadeia ossicular e do esporão de Chausse, fica muuuuuito mais fácil se definir o diagnóstico até mesmo sem história clínica, apenas pela característica tomográfica da lesão. Já no caso de lesões adquiridas que envolvem a pars tensa, relacionadas a perfuração timpânica prévia, o padrão nem sempre é tão rico e a história clínica é imprescindível, uma vez que a erosão óssea característica dos colesteatomas pode ainda não estar evidente.

Costumamos levantar a suspeita, indicar sítios de envolvimento (seio timpânico, recesso epitimpânico, etc) e relatar erosão óssea se estiver presente. Levar a história em consideração é fundamental na availação de exames de mastóide.

Em um exame como este, num paciente com esta história, colesteatoma de pars tensa é uma hipótese possível, deve ser correlacionada com os dados do exame e pode ser confirmada através do estudo RM. Na verdade, a suspeita clínica do otorrino já era de colesteatoma e o exame foi solicitado para avaliar a extensão da lesão e se existia erosão óssea. Por outro lado, ainda que seja confirmado colesteatoma, nada impede que exista material fibrocicatricial ou de natureza inflamatória em associação ao componente queratinoso. Moral da história, se você quer saber se este caso é mesmo um colesteatoma e qual a real dimensão deste colesteatoma, o melhor exame seria ressonância magnética com técnica de difusão non-EPI. Nestes casos o melhor exame é a ressonância.

Os colesteatomas se dividem em congênitos (2%) e adquiridos (98%). Entre os colesteatomas adquiridos aproximadamente 20% é da pars tensa, entre os colesteatomas da pars tensa 20% são do tipo anteroinferior.

24 de janeiro de 2010

OTOESPONGIOSE (OTOESCLEROSE)

Alguma coisa te chama a atenção na imagem acima?

Axial Janela de CAI. Sexo feminino, 35 anos, com história de perda auditiva progressiva há cerca de 5 anos e sem relato de otite média. Não temos maiores informações a respeito do exame físico da paciente, por isso não podemos afirmar se a perda audtiva era do tipo neurossensorial, de condução ou mista. A única informação que obtivemos foi "Perda auditiva há 5 anos sem história de otite média associada".


Coronal Janela de CAI. Pois bem, se a primeira foto te fez pensar que era um exame normal, agora a seta amarela e o FOV reduzido nos mostra que existe uma clara zona de redução da densidade óssea na topografia da região imediatamente anterior à janela oval da orelha direita, chamada fissula ante fenestram.

Axial Janela de CAI. O FOV reduzido e a seta amarela evidenciam a zona de redução de densidade, espongiose óssea, que se estende desde a topografia da fissula ante fenestram até a margem óssea da espira média da cóclea.

MPR Sagital obliquo Janela de CAI. De fora para dentro vemos o osso estapédio (Seta branca) nas proximidades da janela oval. A seta vermelha mosta a zona de espongiose óssea anterior à janela oval, na topografia da fissula ante fenestram. Corte mais medial mostra que a área de rarefação da densidade óssea segue a parede anterior do vestíbulo (Setas amarela e vermelha pontilhada).

Axial Janela Óssea (Mais Fechada). Manipulando a janela tomográfica conseguimos visualizar melhor a lesão.

A otoesclerose caracteristicamente é diagnósticada através de achados clínicos (Perda auditiva de condução com membrana timpânica normal e sem história de otite média). O sinal de Schwartze no exame otoscópico reflete o aumento da vascularidade na região do promotório.

A otoesclerose costuma ser duas vezes mais comum em mulheres do que homens, e tem início de sintomas geralmente em pacientes de meia idade.

É importante ressaltar que mínima rarefação da densidade óssea na fissula ante fenestram de pacientes sem queixas e sem suspeita clínica é um achado de natureza incerta, não necessariamente relacionado com sintomas de perda auditiva no futuro.

O termo "fenestral" se refere a otoespongiose que envolve a janela oval, sendo a região da fissula ante fenestram a área mais frequentemente acometida. A fissula ante fenestram corresponde a o tecido conectivo que se localiza entre a janela oval o processo cocleariforme. Quando existe envolvimento ósseo pericoclear, costuma se chamar otoesclerose "coclear".

Várias são as tentativas de classificação tomográfica da otoesclerose. De acordo com a classificação proposta por Symons e Fanning, este caso acima descrito corresponde ao tipo 2B, isto é, lesão que envolve a fissula e se estende até a espira média da cóclea.

Como diria Tolstoi, Caetano e Gentil: "De perto ninguém é normal". Pois bem, à partir desta brilhante frase, podemos também afirmar que "de longe todas as mastoides são normais". Por isso, exame de mastóide é sinônimo de FOV pequeno e calma.




CT Grading of Otosclerosis
AJNR Am J Neuroradiol 30:1435–39 - Aug 2009

T.C. Lee
R.I. Aviv
J.M. Chen
J.M. Nedzelski
A.J. Fox
S.P. Symons


BACKGROUND AND PURPOSE: The CT grading system for otosclerosis was proposed by Symons and Fanning in 2005. The purpose of this study was to determine if this CT grading system has high interobserver and intraobserver agreement.

MATERIALS AND METHODS: All 997 petrous bone CTs performed between December 2000 and September 2007 were reviewed. A total of 81 subjects had CT evidence of otosclerosis on at least 1 side; 68 (84%) had bilateral disease. Because otosclerosis was clinically suspected in both ears of all 81 subjects even if CT evidence was only unilateral, both petrous bones (162 in total) were included. Two blinded neuroradiologists independently graded disease severity using the Symons/Fanning grading system: grade 1, solely fenestral; grade 2, patchy localized cochlear disease (with or without fenestral involvement) to either the basal cochlear turn (grade 2A), or the middle/apical turns (grade 2B), or both the basal turn and the middle/apical turns (grade 2C); and grade 3, diffuse confluent cochlear involvement (with or without fenestral involvement). One reviewer repeat-graded the petrous bone CTs to determine intraobserver agreement with a 7-month intervening delay to mitigate recall bias.

RESULTS: There were 154 agreements (95%) comparing the first grading of reviewer 1 with that of reviewer 2 (0.93). When the repeat 7-month delayed grading of reviewer 1 was compared with that of reviewer 2, there were 151 (93%) agreements (0.90). Therefore, mean interobserver
agreement was excellent (mean 0.92). There were 155 agreements (96%) comparing the original
grading of reviewer 1 with the delayed grading (0.94), demonstrating excellent intraobserver agreement.

CONCLUSIONS: A recently published CT grading for otosclerosis on the basis of location of involvement yielded excellent interobserver and intraobserver agreement.