29 de novembro de 2009

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO!

Paciente jovem, sexo feminino com história de trauma queixando-se de cefaléia. Origem - Emergência.

Tomografia do crânio, plano axial individualizamos imagem com baixa atenuação em situação supra-selar, relacionada ao joelho do corpo caloso. Observe que esta imagem tem a mesma "cor" que o ar, no entando isto não é um pneumocéfalo.



Colocando-se o ROI - Region Of Interest (método para calcular a atenuação das estruturas), observamos uma atenuação similar a da gordura. Neste caso - 82 HU.



Plano sagital com uma janela diferente, observe que a estrutura não tem a mesma atenuação do ar.

Portanto, nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que é preto é ar em tomografia!
Dentre os diagnósticos mais prováveis, deve-se considerar LIPOMA e CISTO DERMÓIDE.

SIALOADENOSE ( SIALOSIS )


Paciente de 74 anos, sexo feminino, diabética e sem queixas de xerostomia. Nos últimos meses, vem notando aumento volumétrico bilateral na altura do ângulo da mandíbula de ambos os lados.

Nas imagens, observa-se aumento bilateral e simétrico das parótidas, sem sinais de processo inflamatório, nódulos ou cístos. Também não foram evidenciados linfonodos aumentados.

Esta condição é vista em pacientes mal nutridos, imunodeprimidos e diabéticos, e tem aspecto de imagem que eventualmente assemelha-se a Sialoadenite Crônica e Síndrome de Sjogren. Pode apresentar parênquima denso ou com densidade de gordura.

Alargamento não-neoplásico e não-inflamatório, atribuido a degeneração do sistema nervoso autônomo em pacientes diabéticos, mal nutridos, imunodeprimidos. Sialoadenose (sialosis).


20 de novembro de 2009

TROMBOSE CRÔNICA DE VEIA PORTA E MESENTÉRICA SUPERIOR

Paciente com entrada no P.A. relatando dor epigástrica. MPR Coronal. Diabética e hipertensa com história prévia de esplenectomia e esclerose de varízes esofágicas. Note a falha de enchimento desde os ramos proximais da veia mesentérica superior até a veia porta (Setas).

MPR Coronal. Além da trombose da veia porta (Seta rôxa), observe circulação colateral pérvia no hilo hepático (Seta azul), que também é visualizada na topografia do mesentério. Note a ausência cirúrgica do baço, os contornos hepáticos lisos e a presença de líquido livre subfrênico à direita.

MPR Sagital. Além da trombose da veia mesentérica superior (Seta amarela), observe a parede das alças intestinais com espessamento parietal concêntrico, achado relacionado ao estado de congestão venosa crônica determinado pela referida trombose (Seta branca).

Axial. Circulação colateral (Seta vermelha) e trombose na transição mesentérica/porta (Seta branca).

MPR Coronal. Advinha o que representa a seta laranja? E a branca? Pois bem, além dos aspectos já descritos, observe como o mesentério exibe aspecto de adensamento linear por conta da congestão venosa a jusante. Além disso, coexiste ascite... e a paciente somente com epigastralgia.

15 de novembro de 2009

FRATURA DE ÓRBITA DO TIPO "BLOW OUT". OUTRA? OUTRA!

Coronal Janela de Partes Moles. Fratura do assoalho orbitário do lado esquerdo com afundamento do fragmento ósseo para o interior do seio maxilar subjacente (Seta Azul). Fratura do tipo "Blow Out". Note a presença de gás no interior da órbita (Setas Amarelas), além de preenchimento do seio maxilar deste lado com material hiperdenso, configurando Hemossinus (Seta Rosa).

MPR Sagital Janela de Partes Moles. Este é o aspecto mais comum da fratura Blow Out do assoalho da órbita. O terço médio/posterior mais delgado do osso não resiste a energia conduzida á partir do impacto direto sobre a órbita, enquanto a porção anterior do assoalho, mais espessa e que corresponde ao pilar de força transverso maxilar superior, resiste ao trauma, conduz a energia de impacto e se mantém íntegra (Seta Amarela).

Axial Janela de Partes Moles. Note a diferença de forma entre o ventre dos músculos reto inferior do lado direito e esquerdo, representados em uma das fotos como as áreas em amarelo e rosa, respectivamente. O lado direito (Amarelo) tem aspecto morfológico elíptico habitual, enquanto no lado esquerdo (Rosa) a forma é algo arredondada. Tal aspecto arredondado pode estar relacionado a injúria muscular e deve ser relatado.

Como em todos os serviços de todos os lugares, a boa e velha lei das séries atacou novamente! Há menos de 2 meses foi postado aqui um caso muito parecido, daí o tempo passa, o tempo voa, e aparece outra vítima de trauma com um achado bem semelhante... acho que vou ficar 15 meses sem ver outro Blow Out.

13 de novembro de 2009

LESÃO PERIAPICAL COM EXTENSÃO E ABSCESSO DE PARTES MOLES ADJACENTES

Coronal Janela de Partes Moles. Coleção de forma irregular com relace periférico adjacente ao processo alveolar do osso maxilar à esquerda (Seta). Note que a lesão situa-se abaixo dos músculos da mímica, promovendo deslocamento lateral dos mesmos.


MPR Oblíquo Janela de Partes Moles. Melhor definição da imagem (Seta), inclusive com discretas inclusões gasosas de permeio.


Coronal Janela Óssea. Adjacente à coleção descrita e em contiguidade com a mesma, observe a lesão periapical pré-molar com ruptura da cortical do processo alveolar da maxila (Seta) . Abscesso de foco dentário.

Pegando uma carona no ótimo post anterior e no clima bucólico da "árvore vascular" do Dr. Gentil, aqui vai minha dica sob a ótica da moderna "Radiologia Verde" (hehehe): FOQUE NA ÁRVORE, ESQUEÇA A RAIZ (NESSE CASO A RAIZ DENTÁRIA) E CERTAMENTE ERRARÁ O DIAGNÓSTICO!!
Neste caso é fácil pensar em Foco Dentário, mas lembrem-se que um foco dentário pode ser causa de Sinusopatias ou até mesmo Celulites Orbitárias, inclusive sem envolvimento sinusal! Por isso, não deixem os dentes pra lá NUNCA!!

7 de novembro de 2009

FOQUE NA ÁRVORE E ESQUEÇA A FLORESTA E CERTAMENTE ERRARÁ O DIAGNÓSTICO!

Paciente idoso com diagnóstico prévio de dissecção aórtica evoluindo com dor abdominal. Referido da emergência ao nosso setor para realizar uma Angiotomografia do Abdome.



Tomografia, plano axial, logo após a origem do tronco celíaco. individualizamos a lâmina de dissecção, com a luz verdadeira (geralmente a menor) que apresenta maior densidade e a luz falsa com menor densidade. Satisfação do diagnóstico. Dissecção aórtica!
Espere um pouco, esta é a causa da dor do paciente?
Não há adensamento da gordura peri-aórtica em toda a extensão deste vaso e o paciente já tinha este diagnóstico. Qual a causa da dor?


Tomografia, plano axial, mesmo nível. A seta azul demonstra hipodensidade em cunha na periferia do baço. Aspecto observado em infartos por embolização. A seta amarela demonstra falha de enchimento em uma das artérias hepáticas. Aspecto compatível com trombo oclusivo. Achados que justificam a dor do paciente.


Plano coronal, MIP espesso (Maximum intensity projection), onde observamos melhor o trombo nas artérias hepáticas (falha de enchimento).


VRT, reconstrução volumétrica, onde observamos a lâmina de dissecção e a amputação das artérias hepáticas ao nível da bifurcação da artéria hepática comum.
Dica: sempre olhe uma angiotomografia de forma ampla e periférica e só após foque na aorta!

3 de novembro de 2009

PAROTIDITE AGUDA

Axial Janela de Partes Moles Sem Contraste. Aumento volumétrico da Parótida esquerda com borramento dos planos gordurosos adjacentes da fascia cervical superficial e do espaço parafaríngeo adjacente. Note a presença de linfonodos reacionais na cadeia IIB homolateral (seta vermelha). O Ducto Parotídeo (de Stensen) encontra-se levemente dilatado e com borramento dos planos gordurosos adjacentes (seta amarela).


Coronal Janela de Partes Moles Sem Contraste. Ducto Parotídeo normal à direita (seta maior), enquanto do lado esquerdo observa-se leve indefinição e dilatação do mesmo pelo borramento inflamatório do plano gorduroso adjacente com espessamento associado leve do platisma (seta pequena). Paciente pediátrico de 3 anos com quadro agudo de possível etiologia viral.

31 de outubro de 2009

COLESTEATOMA DA PARS FLÁCIDA COM FÍSTULA LABIRÍNTICA

Coronal Anterior (Cóclea) Janela de CAI. Material com densidade de partes moles ocupando quase toda a orelha média, com aparente erosão da cadeia ossicular e erosão do scutum (seta), sugerindo lesão colesteatomatosa da Pars Flácida.


Coronal Média (Vestíbulo) Janela de CAI. Além do preenchimento da orelha média e da erosão da cadeia ossicular, evidencia-se falha óssea da parede do canal semicircular lateral com solução de continuidade entre a orelha média e o interior do labirinto (seta).


Coronal Anterior (Cóclea) Janela de CAI. Evidencia-se "falha de continuidade do Tégmen Timpanico". Na verdade essa imagem corresponde ao Hiato Facial do Gânglio Geniculado. Pitfall que não deve ser confundido com erosão óssea do Tégmen, principalmente nas aquisições volumétricas de 0,6 mm de um Multislice. Note que essa falsa erosão do Tégmen é vista na primeira imagem do post. CUIDADO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Coronal Média (Vestíbulo) MiniIP Invertido. Na imagem do lado esquerdo observa-se a a parede do canal semicircular lateral íntegra. Na imagem do lado direito nota-se a falha óssea que caracteriza a Fístula Labiríntica, complicação de colesteatoma.

30 de outubro de 2009

MDCT E ESTENOSE DA JUP (JUNCÃO URETEROPIELICA)

Paciente do sexo feminino, jovem, fez ultrassonografia do aparelho urinário que evidenciou pequena / moderada dilatação do sistema coletor proximal do rim esquerdo. Queixa de dor no flanco esquerdo de pequena intensidade.

Encaminhada ao nosso Serviço, realizamos tomografia do aparelho urinário sem contraste e complementamos com a utilização do meio de contraste (fase excretora).
Individualizamos moderada ectasia do sistema coletor proximal do rim esquerdo, restrita a pelve. A paciente apresentava uma artéria polar (polo inferior do rim esquerdo), no entanto a mesma não apresentava contato com a JUP.


Tomografia, plano axial, onde observamos dilatação da pelve renal esquerda na dependência de espessamento parietal focal da junção ureteropiélica.

Reformatação multiplanar curva com caracterização excepcional do espessamento parietal anteriormente descrito.

A mesma reformatação em um plano diferente.


Reconstrução volumétrica. A imagem "fala" por si só!

CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS DE OROFARINGE COM EXTENSÃO TUMORAL E LINFONODOMEGALIA

Axial. Lesão tumoral de captação heterogêneo na topografia da tonsila palatina da orofaringe à direita (seta)


Axial ao nível do arco mandibular. Extensão anterior da tumoração para o assoalho da boca (setas)


Axial ao nível do topo da porção livre da epiglote. Extensão posterior da lesão para a parede lateral e posterior da orofaringe, bem como para a base da língua cruzando a linha média (seta). Note que as valéculas estão quase que totalmente obliteradas pela lesão e que o topo da epiglote encontra-se também envolvido.


Axial na altura do osso hióide. Extensão lateral da lesão com invasão da gordura parafaríngea. Note a presença de linfonodomegalia de limites mal definidos à direita (seta branca). A glândula submandibular direita encontra-se deslocada para baixo e para fora pelo processo expansivo (seta vermelha). A lesão acomente grande parte da lateral lateral (seta amarela) e posterior (seta pontilhada) da hipofaringe.

Axial na altura da cartilagem tireóide da laringe. Extensão tumoral ao longo da gordura perilaringea com envolvimento da comissura anterior à esquerda (seta) e base da prega ariepiglótica esquerda na imagem do lado direito (seta longa). Note a extensão da lesão além dos limites da cartilagem tireóide (seta curta). Carcinoma de Células Escamosas em paciente do sexo masculino de 40 anos.