24 de outubro de 2010

ESCORE DE CALCIO - ARMADILHA

O escore de cálcio é uma quantificação indireta, não invasiva do cálcio coronário através de uma exame realizado com tomografia computadorizada. Este escore apresenta uma boa associação com a incidência de eventos cardiovasculares.
O exame é extremamente rápido, não utiliza contraste endovenoso e é de fácil interpretação com boa reprodutibilidade.

Algumas dicas são bem importantes para a interpretação deste exame:

Saber identificar os artefatos - Artefatos de variação da frequência cardíaca e de movimento (respiração) são os maiores vilões deste estudo, por tratar-se de um exame realizado com sincronização eletrocardiográfica, pequenos movimentos podem fazer desaparecer uma placa calcificada, portanto todo exame deve ser reformatado imediatamente em um plano ortogonal ao axial para conferir as margens cardíacas a procura de artefatos.

Saber a anatomia cardíaca e o trajeto das artérias coronárias.



Trazemos neste caso um exemplo de possível armadilha, uma calcificação (seta vermelha) na projeção do ânulo fibroso da válvula mitral muito próximo do trajeto da artéria circunflexa (seta azul).




Observe que ao reformatar a imagem em um plano ortogonal a imagem não está na artéria circunflexa.

17 de outubro de 2010

MIP DICAS

MIP (maximum intensity projection) é uma técnica de reconstrução de imagens médicas muito utilizada na Radiologia, possibilita uma avaliação global das estruturas anatômicas, notadamente das estruturas vasculares contrastadas. Os pixeis com maior densidade ou maior intensidade de sinal em uma determinada projeção sobressaem sobre os demais, no entanto esta característica fundamental para avaliação dos exames pode gerar algumas armadilhas diagnósticas.



Neste caso mostramos um trombo (seta vermelha) na veia jugular interna direita (seta azul) no plano coronal em MPR sem reconstrução adicional.



MIP espesso, plano coronal, observe que o trombo simplesmente não aparece.
O exemplo mostrado é bem grosseiro e raramente um Radiologista deixa passar este tipo de achado a despeito das reconstruções utilizadas, no entanto pequenos trombos em vasos segmentares e subsegmentares de fino calibre são facilmente perdidos nestas reconstruções.
Moral da história: Qual a melhor técnica para avaliação de possíveis falhas de enchimento?
Resposta: TODAS!

Sempre faça uma avaliação global do seu exame!

10 de outubro de 2010

DIVERTICULO DUODENAL

Tomografia plano axial individualizamos adjacente ao duodeno imagem arredondada contendo nível líquido com aproximadamente 2,5 cm de diâmetro compatível com divertículo duodenal.



Seta amarela - duodeno.
Seta vermelha - divertículo duodenal.

6 de outubro de 2010

ANEURISMA DE ARTÉRIA CORONÁRIA

Paciente do sexo feminino realizando tomografia de tórax com contraste por dor torácica.



Tomografia plano axial, notamos ectasia do segmento proximal da Artéria Coronária Direita (seta vermelha)




Tomografia plano axial, onde notamos grande aneurisma da artéria coronária direita com paredes parcialmente calcificadas (seta vermelha). As setas na cor azul representam as paredes do aneurisma com artefatos de movimento (exame realizado sem sincronização eletrocardiográfica).

26 de setembro de 2010

HORIZONTALIZAÇÃO DO PROCESSO UNCINADO

TC Coronal Janela Óssea. Bulla etmoidal proeminente bilateralmente e condicionando horizontalização do processo uncinado. Tal variante anatômica pode estar relacionada a dificuldade na mecânica de drenagem da unidade ostiomeatal e também pode confundir o otorrinolaringologista durante procedimento endoscópico funcional. Por isso, sempre deve ser relatado pelo radiologista.

Obs: também observam-se áreas circunscritas de aspecto cupuliforme que podem corresponder a cistos de retenção ou pólipos nos seios maxilares.


Ampliação TC Coronal Janela Óssea. Note que o infundíbulo etmoidal de ambos os lados encontra-se estreitado, com a bulla etmoidal quase tocando o processo uncinado.


Ampliação TC Coronal Janela Óssea. A linha amarela destaca a parede medial do seio maxilar com o processo uncinado horizontalizado superiormente. A linha vermelha indica a bulla etmoidal proemiente e as linhas brancas destacam as conchas média e inferior.

Aspecto também relevante em relação ao processo uncinado é sua inserção superior. A classificação encontra-se no link abaixo:
http://bioimagem.blogspot.com/2010/02/classificacao-da-insercao-superior-do.html

CONCHA SUPERIOR BOLHOSA

TC Coronal Janela Óssea. Paciente jovem com suspeita de rinossinusopatia inflamatória.

Quando falamos em "concha bolhosa" é quase automático pensar na concha média. Pois bem, este paciente tinha concha média e meato médio sem alterações bilateralmente. Além disso, os seios paranasais estavam livres.

Note que a concha superior encontra-se aerada em ambos os lados, ligeiramente mais volumosa à esquerda. Outro aspecto relevante é a obliteração bilateral do meato superior/recesso olfatório por material com densidade intermediária.


Ampliação TC coronal Janela Óssea. As setas vermelha e amarela indicam respectivamente a concha superior bolhosa e a obstrução da via aérea por material com densidade intermediária. Variante anatômica digna de nota.

Aspecto importante é a obstrução do meato. Note que os meatos médio e inferior encontram-se livres.

Uma condição fisiológica bem evidente neste exame é o ciclo nasal da mucosa. Note que a espessura da mucosa dos meatos do lado direito é maior do que o lado esquerdo. No entanto, não existe obliteração de via aérea o irregularidade da superfície mucosa, aspecto típico do ciclo nasal.

20 de setembro de 2010

ABSCESSO SEPTAL

TC Janela de Partes Moles nos 3 planos. Paciente de 45 anos com história de sinusopatia inflamatória aguda há 03 semanas. Refere dor e rinorreia moderada. Desde então vem sentindo difculdade para respirar ("nariz entupido"). Importante ressaltar que o paciente não tinha história de manipulação cirúrgica ou trauma prévio.

As setas acima evidenciam imagem bem definida com inclusões gasosas de permeio na topografia da cartilagem quadrangular. Tal aspecto é sugestivo de abscesso septal. Diante da história clínica, fica a pergunta: houve um hematoma espontâneo prévio que gerou o abscesso?

SESSÃO CIENTÍFICA - HOSP. JORGE VALENTE - MECANISMOS DE LESÃO TRAUMÁTICA DO JOELHO

Dando continuidade ao nosso calendário 2010 de sessões científicas., teremos a apresentação da Aula - MECANISMOS DE LESÃO TRAUMÁTICA DO JOELHO ministrada por Dra. Cristiane Possobom no dia 21 de setembro de 2010 às 19:30 que ocorrerá no auditório do Hospital Jorge Valente na Pediatria.
Dê preferência para parar o carro no lado oposto da Garibaldi.

Estão todos convidados e a entrada é franca e como sempre teremos nosso famoso CoffeBreak
 
Dr. Gentil P. Martins Neto
Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Imagem Cardiovascular
071 8101-1320
gentil.imagem@yahoo.com.br




7 de setembro de 2010

OLHAR PARA O PASSADO E PLANEJAR O FUTURO

Frase cliché, eu sei.

No site http://www.imaginologia.com.br/ existem vários arquivos interessantes sobre a história da radiologia. Resolvi dar destaque ao que fala dos "pioneiros da radiologia brasileira". Em tempos onde o valor das coisas se mede pelo número de canais que elas tem, vale a pena perceber que a maior máquina do mundo é e sempre será um ser humano obstinado.


Pobre do povo que não valoriza os seus mestres. Eu tive o meu "mestre" e jamais vou esquecer suas palavras, cada dia mais coerentes para mim.
Em tempos de eleição legislativa e do executivo, onde toda mesa de bar tem um "q" de palanque, mais do que nunca vale sonhar como algum destes homens que deram voz a imaginação, trabalharam muito e dedicaram suas vidas ao ensino e ao estudo da Radiologia.