26 de setembro de 2010

HORIZONTALIZAÇÃO DO PROCESSO UNCINADO

TC Coronal Janela Óssea. Bulla etmoidal proeminente bilateralmente e condicionando horizontalização do processo uncinado. Tal variante anatômica pode estar relacionada a dificuldade na mecânica de drenagem da unidade ostiomeatal e também pode confundir o otorrinolaringologista durante procedimento endoscópico funcional. Por isso, sempre deve ser relatado pelo radiologista.

Obs: também observam-se áreas circunscritas de aspecto cupuliforme que podem corresponder a cistos de retenção ou pólipos nos seios maxilares.


Ampliação TC Coronal Janela Óssea. Note que o infundíbulo etmoidal de ambos os lados encontra-se estreitado, com a bulla etmoidal quase tocando o processo uncinado.


Ampliação TC Coronal Janela Óssea. A linha amarela destaca a parede medial do seio maxilar com o processo uncinado horizontalizado superiormente. A linha vermelha indica a bulla etmoidal proemiente e as linhas brancas destacam as conchas média e inferior.

Aspecto também relevante em relação ao processo uncinado é sua inserção superior. A classificação encontra-se no link abaixo:
http://bioimagem.blogspot.com/2010/02/classificacao-da-insercao-superior-do.html

CONCHA SUPERIOR BOLHOSA

TC Coronal Janela Óssea. Paciente jovem com suspeita de rinossinusopatia inflamatória.

Quando falamos em "concha bolhosa" é quase automático pensar na concha média. Pois bem, este paciente tinha concha média e meato médio sem alterações bilateralmente. Além disso, os seios paranasais estavam livres.

Note que a concha superior encontra-se aerada em ambos os lados, ligeiramente mais volumosa à esquerda. Outro aspecto relevante é a obliteração bilateral do meato superior/recesso olfatório por material com densidade intermediária.


Ampliação TC coronal Janela Óssea. As setas vermelha e amarela indicam respectivamente a concha superior bolhosa e a obstrução da via aérea por material com densidade intermediária. Variante anatômica digna de nota.

Aspecto importante é a obstrução do meato. Note que os meatos médio e inferior encontram-se livres.

Uma condição fisiológica bem evidente neste exame é o ciclo nasal da mucosa. Note que a espessura da mucosa dos meatos do lado direito é maior do que o lado esquerdo. No entanto, não existe obliteração de via aérea o irregularidade da superfície mucosa, aspecto típico do ciclo nasal.

20 de setembro de 2010

ABSCESSO SEPTAL

TC Janela de Partes Moles nos 3 planos. Paciente de 45 anos com história de sinusopatia inflamatória aguda há 03 semanas. Refere dor e rinorreia moderada. Desde então vem sentindo difculdade para respirar ("nariz entupido"). Importante ressaltar que o paciente não tinha história de manipulação cirúrgica ou trauma prévio.

As setas acima evidenciam imagem bem definida com inclusões gasosas de permeio na topografia da cartilagem quadrangular. Tal aspecto é sugestivo de abscesso septal. Diante da história clínica, fica a pergunta: houve um hematoma espontâneo prévio que gerou o abscesso?

SESSÃO CIENTÍFICA - HOSP. JORGE VALENTE - MECANISMOS DE LESÃO TRAUMÁTICA DO JOELHO

Dando continuidade ao nosso calendário 2010 de sessões científicas., teremos a apresentação da Aula - MECANISMOS DE LESÃO TRAUMÁTICA DO JOELHO ministrada por Dra. Cristiane Possobom no dia 21 de setembro de 2010 às 19:30 que ocorrerá no auditório do Hospital Jorge Valente na Pediatria.
Dê preferência para parar o carro no lado oposto da Garibaldi.

Estão todos convidados e a entrada é franca e como sempre teremos nosso famoso CoffeBreak
 
Dr. Gentil P. Martins Neto
Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Imagem Cardiovascular
071 8101-1320
gentil.imagem@yahoo.com.br




7 de setembro de 2010

OLHAR PARA O PASSADO E PLANEJAR O FUTURO

Frase cliché, eu sei.

No site http://www.imaginologia.com.br/ existem vários arquivos interessantes sobre a história da radiologia. Resolvi dar destaque ao que fala dos "pioneiros da radiologia brasileira". Em tempos onde o valor das coisas se mede pelo número de canais que elas tem, vale a pena perceber que a maior máquina do mundo é e sempre será um ser humano obstinado.


Pobre do povo que não valoriza os seus mestres. Eu tive o meu "mestre" e jamais vou esquecer suas palavras, cada dia mais coerentes para mim.
Em tempos de eleição legislativa e do executivo, onde toda mesa de bar tem um "q" de palanque, mais do que nunca vale sonhar como algum destes homens que deram voz a imaginação, trabalharam muito e dedicaram suas vidas ao ensino e ao estudo da Radiologia.

6 de setembro de 2010

INTUSSUSCEPÇÃO COLO-COLICA

Há alguns meses, postamos pelo menos dois casos de intussuscepção, uma iléo-ileal (link) e outra ileo-cólica (link).
Hoje postamos uma tomografia de um paciente HIV positivo em sepse na Unidade de Terapia Intensiva evoluindo com distensão abdominal.



Tomografia plano, axial, onde observamos imagem arredondada, heterogênea com múltiplas camadas concêntricas (seta vermelha)



Plano coronal, notamos as paredes espessadas do ângulo esplênico do cólon insinuando-se na porção descendente do grosso intestino. Diagnóstico: Intussuscepção Colo-cólica.

4 de setembro de 2010

HEMANGIOMA DO MÚSCULO TEMPORAL

TC Axial. Paciente do sexo masculino, 41 anos, diabético, admitido no pronto atendimento com queixa de cefaléia há menos de 12 horas e sem outros sintomas associados. Em sua história pregressa havia o relato de severa baixa da acuidade visual à direita por conta de trombose da veia retiniana. Sem mais dados positivos.

Na imagem acima, vemos um estudo TC de crânio nas fases pré (acima) e pós-contraste (abaixo). A seta amarela aponta lesão extracraniana bem definida, ovalada, hipodensa e homogênea, que parece ocupar o espaço relativo ao músculo temporal (compare com o lado oposto e observe o aspecto normal das fibras do músculo temporal direito). Na fase pós-contraste (seta pontilhada), evidencia-se marcado realce homogêneo da lesão, predominantemente central.

TC Coronal Janela de Partes Moles. A seta azul na fase pós-contraste evidencia lesão bem definida e com marcado realce homogêneo. A seta azul pontilhada demonstra o aspecto homogêneo e hipodenso da imagem na fase pré-contraste. As setas amarelas delineiam a fáscia temporal abaulada lateralmente e que se insere inferiormente no processo coronóide da mandíbula.

TC Sagital Janela de Partes Moles. Nas fases pré (acima) e pós-contraste (abaixo) fica claro o realce intenso da lesão.

TC axial Janela Óssea (acima) e Janela de Partes Moles (abaixo). Note que não existem alterações das estruturas ósseas adjacentes à referida imagem.


TC Coronal Janela de Partes Moles. A seta branca indica o arco zigomático. As áreas amarela e vermelha correspondem aos compartimentos infra e suprazigomático do espaço mastigador, respectivamente.

A imagem demonstrada consiste em uma lesão bem definida e captante, localizada no compartimento suprazigomático do espaço mastigador esquerdo. Hemangioma na topografia do músculo temporal.

Geralmente, quando se fala em espaço mastigador, logo vem na mente a imagem do ângulo da mandíbula em contato com o ventre do masseter e músculo pterigóide medial. Pois bem, nunca devemos esquecer que o espaço mastigador não se resume ao compartimento infrazigomático.

Esta lesão foi um achado de exame e não tem relação direta com a queixa de cefaléia do paciente.

22 de agosto de 2010

Diagnóstico à "flor da pele"


Paciente masculino, 37anos, casado, cursando com febre, dor muscular, mal estar e lesões em pele há 02 semanas. Refere viagem ao Tocantins nos últimos 30 dias. Na admissão encontrava-se em regular estado geral, apresentava monilíase oral , pápulas eritematosas disseminadas, dispnéia, teste rápido para HIV +, LDH elevada, leucocitose e aumento de transaminases. Foi introduzido tratamento para Pneumocistose, solicitado biópsia de pele, tomografia de tórax e mielograma.




Figura 1a, b. a Pápulas eritematosas difusamente distribuídas em tronco e membros superiores em b.


Figura2a, b. a. Tomografia de tórax, corte axial no nível dos campos pulmonares superiores evidenciam micronódulos com distribuição randômica, que também podem ser observados na reformatação coronal em b.


A piora do quadro clínico do paciente associados aos achados de tomografia, modificaram a conduta terapêutica, introduzindo tratamento para Tuberculose Pulmonar e para Histoplasmose com Anfotericina Lipossomal . O paciente não apresentou evolução favorável, evoluindo com insuficiência renal, hepatite transinfecciosa , coagulação intravascular disseminada e óbito.
O paciente teve Diagnóstico de Histoplasmose disseminada, que é uma forma de apresentação da Histoplasmose, que acomete indivíduos imunocomprometidos, sendo a infecção pelo HIV o principal fator de risco.
Pacientes com esta forma da doença apresentam lesões em pele, insuficiência respiratória, renal e hepática, coagulação intra-vascular disseminda e choque.
A radiografia de tórax pode ser normal em 50% dos pacientes. A tomografia computadorizada neste pacientes evidencia pequenos nódulos, medindo entre 3 e 5mm, com margens mal definidas, com distribuição randômica, caracterizando padrão miliar.
As lesões de pele e os achados na TC de tórax foram imprescindíveis para a elucidação diagnóstica, sustentados pelos resultados do Mielograma e da biópsia de pele.





8 de agosto de 2010

MAY-THURNER

A síndrome da compressão da veia ilíaca é uma entidade clínica de difícil diagnóstico e na maior partes dos casos é um diagnóstico de exclusão, consiste no efeito compressivo de uma das artérias ilíacas sobre a veia ilíaca esquerda. A redução do calibre vascular determina alteração da dinâmica do fluxo venoso, gerando sintomas relacionados, com destaque para eventos de Trombose Venosa Profunda.

Apresentamos uma paciente do sexo feminino, 32 anos, com passado de dois episódios de trombose venosa profunda no membro inferior esquerdo.


Tomografia, plano axial - Artéria Ilíaca Esquerda (seta vermelha), Veia Ilíaca Comum Esquerda (seta amarela), observe a redução do calibre da veia ilíaca comum esquerda. Neste ponto, lembramos que este achado é comumente observado na prática radiológica, devendo-se sempre, correlacionar com outros sintomas que tornem o diagnóstico possível.


Reconstrução multiplanar com melhor caracterização da redução do calibre da veia ilíaca comum esquerda. Artéria Ilíaca Comum Esquerda (seta amarela), Veia Ilíaca Comum Esquerda (seta vermelha).


MPR curvo. A veia ilíaca comum esquerda (seta amarela) está situada entre as margens ósseas dos corpos vertebrais de L4 e L5 (setas azuis) e a artéria ilíaca comum esquerda (seta vermelha).

22 de julho de 2010

COMPRE 1 E LEVE 3 VARIANTES DO BULBO JUGULAR

TC Coronal Janela de CAI. Na imagem superior, a seta vermelha aponta a deiscência do bulbo jugular. Note que não existe osso entre a cavidade timpânica e o bulbo jugular. Nesta mesma imagem, a linha horizontal pontilhada, traçada ao nível do assoalho do conduto auditivo externo, serve como limite virtual superior do bulbo jugular. Se o bulbo jugular passa desta linha, pode-se chamar "bulbo jugular alto". Por fim, na imagem inferior, em um plano coronal posterior, a seta amarela revela projeção diverticular do bulbo jugular.

TC Axial Janela de CAI de cima para baixo. A seta amarela mostra a projeção diverticular no bulbo jugular. A seta pontilhada do lado esquerdo mostra o bulbo jugular esquerdo (também alto). A seta vermelha na imagem inferior mostra a deiscência do bulbo jugular (Compare com o bulbo jugular do lado esquerdo, separado da cavidade timpânica por uma limitante óssea bem visualizada).

TC Coronal Janela de CAI. Seta pontilhada evidenciando a deiscência do bulbo jugular alto. Seta do lado esquerdo revela o bulbo jugular alto do lado esquerdo, porém sem deiscência.

TC Coronal Janela de CAI. Imagem ampliada para mostrar o bulbo jugular do lado esquerdo (seta vermehla) e a deiscência do bulbo jugular à direta (seta amarela).

Pois bem, este paciente tem 3 variantes anatômicas do bulbo jugular: bulbo jugular alto bilateral, deiscência de bulbo jugular e divertículo jugular do lado direito. Ainda assim, o paciente era completamente assintomático e realizou o exame apenas por suspeita de otite média.

Este caso revela uma enorme controversia: variantes do bulbo jugular são responsáveis por zumbido? Quem fala contra exibe exemplos como este: uma legião de pessoas com tais variantes e que não tem nenhum sintoma. Outros autores acreditam que as variantes do bulbo jugular podem sim estar relacionadas ao zumbido.

Qual a orientação mais aceita? Se o paciente tem queixa de zumbido e no exame são encontradas variantes do bulbo jugular, o radiologista deve continuar investigando outra causa para o sintoma.